Quando estou perto da natureza, principalmente no campo, quando avisto as montanhas, o céu, as árvores, ouço o som da mata, ando descalça, sinto o cheiro da terra e o frescor da brisa suave no meu rosto, consigo descansar a mente dos pensamentos e restabeleço uma prazeirosa sensação de bem-estar.

Eu sei que parece um pouco óbvio dizer que estar em contato com a natureza, com uma bela paisagem, onde os sentidos – audição, olfato, tato e visão – são harmonicamente estimulados, pode trazer, além da percepção de bem-estar, experiências positivas de restauração, recuperação e restabelecimento da saúde física e mental. Até aqui concordamos, certo?

Mas será que conseguimos reproduzir a percepção subjetiva de bem-estar, assim como os benefícios afetivos, cognitivos, comportamentais e fisiológicos, promovidos pelos ambientes naturais nos espaços construídos? Baseado na minha formação (saiba+) e em anos de experiência profissional e pessoal, acredito fortemente que sim!

Olha só que bacana! Recentemente, descobri que, há décadas, tem muita gente pesquisando e estudando à inter-relação entre os ambientes e as pessoas. Para a minha felicidade e entusiasmo, a Psicologia Ambiental, que surgiu inicialmente com o nome de Psicologia da Arquitetura (Architectural Psychology/1950-1960), na década de 1980, expandiu suas pesquisas sobre ambientes restauradores, em busca das respostas para a pergunta:

“Como o ambiente afeta as pessoas e como as pessoas afetam o ambiente?”

Apesar de ser um braço da Psicologia, a Psicologia Ambiental é interdisciplinar, e envolve naturalmente especialistas de diferentes áreas, como: Arquitetura, Urbanismo, Design, Paisagismo, Geografia, Sociologia, Biologia e tantas outras interessadas na melhoria de ambientes construídos e de convivência.

Alguns desses estudos defendem a importância dos ambientes na prevenção de doenças e na promoção da saúde, principalmente em contextos de grande vulnerabilidade: hospitais, por exemplo. Pacientes que puderam decorar o próprio quarto de internação, com painéis artísticos e com elementos naturais, que receberam suporte e apoio de familiares, amigos e profissionais, que foram expostos à distração audiovisual (música, por exemplo) e a um conforto térmico e acústico, que tiveram contato com a natureza através de janelas, ou murais ou até controle da iluminação artificial, apresentaram menor estresse e depressão, menor tempo de internação, melhor sono, menos dor, menos queda, maior satisfação, entre outros aspectos positivos.

Estudos também apontam que com a correria do dia-a-dia, estamos sujeitos a fadiga de atenção e ao estresse, quando somos submetidos aos diversos estímulos da vida agitada e a ambientes que demandam esforço de adaptação maior do que conseguimos disponibilizar. Aqui, os ambientes restauradores também são indicados para a redução do estresse e seus danos psicológicos, como a ansiedade, medo, tristeza, dependências, e fisiológicos, como aumento da tensão muscular, frequência cardíaca, pressão sanguínea e atividades hormonais.

Portanto, reproduzir a natureza e todos as boas sensações que ela nos causa – calma, quietude, luz natural, conforto, liberdade, água, vegetação, harmonia, proteção, ar fresco – dentro de nossas casas e dos diversos ambientes construídos, nos proporcionará viver experiências restauradoras e saudáveis. Bora tentar?!

Fontes:
_”Ambientes Restauradores: Conceitos e Pesquisas em Contextos de Saúde”, organizadoras Bettieli Barboza da Silveira e Maíra Longhinotti Felippe, Florianópolis 2019.
_”O Descanso e a Teoria dos Ambientes Restauradores”, Sandra Christina Gressler, Brasília 2014.
_”Ambientes Restauradores: por que ir à praia faz bem?”, Susana de Oliveira Santana e Zenith Nara Costa Delabrida, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, SE.

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