Por mais diferentes que sejam as configura√ß√Ķes e formas f√≠sicas das casas, ainda assim, para o inconsciente coletivo, ela significa um abrigo e um ref√ļgio que nos protege e acolhe. A casa tamb√©m marca o territ√≥rio, que serve de refer√™ncia e reflete quem mora no seu conjunto. Um verdadeiro¬†“arquivo de experi√™ncias e mem√≥rias, que juntamente com o corpo, constr√≥i a nossa identidade. Esse sentido de identidade, que n√£o est√° na forma mas no conte√ļdo, nos atravessa mesmo quando temos h√°bitos e culturas diferentes.”(*)

Por isso, a casa é uma ferramenta muito poderosa de reconexão com o nosso interior, pois serve como uma porta para o nosso inconsciente. Ao exercitarmos a presença e ao ampliarmos o nosso olhar com relação as nossas coisas e a nossa casa, expandimos as possibilidades de alinhamento com a Harmonia e a Sabedoria presentes em nós, na Natureza e em todo o Universo.

Durante esse processo, podemos acessar e reconhecer mem√≥rias antigas, boas e n√£o t√£o boas, momentos felizes ou n√£o, necessidades, prefer√™ncias, desejos e as potencialidades presentes no agora. Mas nem sempre o que emerge desse contato com n√≥s mesmos √© prazeroso ou divertido. Sim, podemos acessar conte√ļdos dolorosos.

Porém, entrar em contato com o universo da nossa casa física pode ser uma grande chave de cura e aprofundamento, usada para encontrar as respostas que precisamos para dar os passos em direção a uma vida mais plena e conectada, com aquilo que é importante e realmente nos faz feliz.

Mas com a “vida adulta”, a maioria de n√≥s acabou assumindo muitas responsabilidades, uma rotina fren√©tica, sem espa√ßo para pausas restauradoras e a liberdade de SER. A busca por algo externo, padronizado, imposto, acaba nos levando pra longe, bem longe da nossa b√ļssola interna, e por anos, vivemos e seguimos a deriva, lan√ßados de um lado para o outro, cheios de ansiedade, estresse, insatisfa√ß√£o, inseguran√ßas, e sem enxergar as t√£o preciosas e infinitas possibilidades.

At√© que chega o grande dia, o momento que temos que fazer nossas escolhas, mesmo que seja “por livre e espont√Ęnea press√£o”. Esse tamb√©m √© um momento que nos abrimos para o novo e podemos buscar ajuda nos processos terap√™uticos.

A nossa casa e as coisas do nosso acervo pessoal são fiéis depositárias da nossa essência e do que fomos sendo até aqui. Servem como diários, onde fomos escrevendo, consciente ou inconscientemente, a nossa história, mas também um ambiente seguro e acolhedor para exercitarmos a Autoterapia.

Ent√£o, quando acessamos esse rico conte√ļdo e nos integramos com a nossa casa, tamb√©m consolidamos dentro de n√≥s uma fonte inesgot√°vel de Alegria, Autoconfian√ßa, Leveza, Criatividade, Intui√ß√£o e vontade de Viver Bem. Nosso mundo particular ganha novas cores, novos significados, e nosso olhar muda: passamos a querer desvendar o que encontramos pelo caminho, com encantamento, harmonia e amor.

Ao fazermos isso, nos damos a oportunidade de escrever um novo capítulo da nossa história, um novo roteiro afetuoso para nós mesmos e, consequentemente, para a nossa família.

(*)Cita√ß√£o da Arq Marlene Acayaba, em Texto ‘A Casa como Arquetipo’

Nosso blog
Instagram