Sinto que a paix√£o por borboletas j√° nasceu comigo. Sempre. Desde quando consigo me lembrar, as observei e continuo observando com muito carinho, admira√ß√£o e identifica√ß√£o. Ao olhar para uma borboleta entro em “estado de encantamento”, o meu cora√ß√£o desacelera, o tempo passa mais devagar. Voando ou paradas, coloridas ou quase incolores, delicadas, leves ao sabor das brisas e rajadas de vento, sob a luz suave do sol, pousadas sobre as flores ou no ch√£o, me transportam para perto da minha ess√™ncia. Para um lugar l√ļdico e harm√īnico, calmo e fresco. Ativam partes adormecidas dentro de mim.

Meus amigos já sabem desse meu carinho por elas e volta e meia recebo presentes e lembranças com borboletas representadas das mais variadas formas, tamanhos e cores. Estão espalhadas pelos ambientes da minha casa e até mesmo tatuadas no meu corpo.

Como a natureza √© perfeita. Como somos seres √ļnicos, com caracter√≠sticas √ļnicas, com ciclos de vida √ļnicos. T√£o delicadas e leves, como podem armazenar tantos ensinamentos!?

Acompanhem a teoria e tentem fazer um paralelo… As borboletas s√£o insetos de metamorfose completa. Ao longo do seu crescimento e desenvolvimento passam por quatro est√°gios muitos distintos de forma, comportamento e h√°bitos de vida: ovo, lagarta/larva, pupa/cris√°lida e adulto. Uma aula gr√°tis de autoconhecimento, entrega e desapego.

Ap√≥s a fase de ovo, que dura de poucos dias at√© mais de um m√™s, nascem as lagartas ou larvas, que se alimentam quase todo tempo (de menos de um m√™s at√© quase um ano) acumulando energia para chegarem a fase adulta. Durante o crescimento, as lagartas “trocam de casca” por quatro √† oito vezes, sendo que a √ļltima troca d√° origem ao est√°gio de pupa. Esse processo de “troca de casca”, ou muda, consiste na troca do esqueleto externo, que √© r√≠gido e n√£o cresce com o animal. √Č o est√°gio mais delicado do seu ciclo de vida, pois elas n√£o se alimentam e permanecem im√≥veis, n√£o podendo fugir nem se defender caso sejam atacadas. No est√°gio de pupa acontecem mudan√ßas profundas em toda a estrutura corporal do animal, que passar√° de uma fase mastigadora e sem asas para um adulto sugador e alado.

Ao sairem da pupa (casulo), os adultos ainda possuem asas bem pequenas, que precisam ser expandidas. Este √© outro momento cr√≠tico. Por cerca de quase uma hora o adulto fica parado enquanto as asas aumentam de tamanho por press√£o. Quaisquer perturba√ß√Ķes neste momento podem resultar na quebra das asas ou na parada da expans√£o, o que impede a borboleta de voar. Lindo demais!

Assim como as borboletas se transformam e deixam o seu “antigo eu” (forma), n√≥s tamb√©m, depois de um evento ou finaliza√ß√£o de ciclo, devemos deixar para tr√°s o que n√£o “serve” mais. Como as borboletas temos a chance de nos tornarmos quem queremos ser hoje, respeitando o tempo natural, exercitando a presen√ßa.

Sigo observando, em processo, “voando pelos prados”.

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