DONA DE CASA

por Luciana Costantin

 

Ando pensando no termo “dona-de-casa” e hoje resolvi dar um Google. Além de fotos de mulheres realizando seus afazeres domésticos, encontrei alguns conteúdos relacionados. A maioria explica que é um termo usado para categorizar as mulheres que trabalham, exclusivamente, para a própria família, não exercendo atividade remunerada, onde a renda familiar provém do trabalho de outra pessoa próxima. Também observei, que a grande maioria dessas mulheres, “donas-de-casa”, acabou por deixar um emprego, uma profissão, logo após o nascimento dos filhos. Foi o caso da minha mãe. Formada em Economia, optou por gerenciar a casa, os filhos (eu e o meu irmão), a nossa família. Uma escolha a partir do desejo de estar presente, cuidar, educar e transmitir seus valores de vida. Uma parceria, um “acordo” entre companheiros. Um trabalha fora e é responsável pelo sustento, pelo dinheiro, enquanto o outro “trabalha” em casa, garantindo que tudo funcione.

Mas todas as vezes que presenciei e presencio minha mãe diante da pergunta “qual a sua profissão?” sinto um certo constrangimento, um micro-silêncio, como se ela visitasse um vazio interno, um desejo de voltar atrás e poder SER todas as Elaines, contidas… e a resposta sai encabulada: “do Lar”. Cresci observando e ouvindo as mulheres da minha família lamentando pelos sonhos pessoais e profissionais não realizados, pela falta de reconhecimento, por sacrificarem partes do todo, por se colocarem de lado. Essa “carga”, de alguma forma, foi sendo absorvida por nós, os filhos, e transferida para o masculino. A dança da codependência se instaurou de forma ancestral. A vítima, o salvador e o algoz numa sincronizada e constante alternância de papéis. Com esse histórico familiar, fui “programada” para ser o oposto de uma “dona-de-casa” convencional: uma profissional realizada, bem sucedida, independente, livre. Onde o casamento e os filhos podiam esperar. O foco era a parte oposta. Resultado: caí do outro lado do cavalo! Lá estava eu deixando para trás todas as Lucianas que habitam o meu SER. Durante muitos anos represei o rio, canalizei toda a água em uma única direção. Fui contra a minha natureza, o meu fluxo natural.

Ser dona ou dono da “casa interna” é o impulso para ser dona ou dono da “casa externa”. Estamos caminhando para um mundo onde homens e mulheres podem SER, compartilhando, além de banheiros e roupas, profissões, atividades, ambientes, esportes, a cozinha e (porque não?!) a manutenção de um lar em harmonia. Manter e sustentar o “campo energético” da casa limpo, equilibrado e em alta frequência, demanda um bom gerador, um bom condutor: quem mora! Você, eu… fazendo um mundo particular melhor e contribuindo para um mundo melhor.

Sim, sou dona da minha própria casa!