Ando pensando no termo “dona-de-casa” e hoje resolvi dar um Google. Al√©m de fotos de mulheres realizando seus afazeres dom√©sticos, encontrei alguns conte√ļdos relacionados. A maioria explica que √© um termo usado para categorizar as mulheres que trabalham, exclusivamente, para a pr√≥pria fam√≠lia, n√£o exercendo atividade remunerada, onde a renda familiar prov√©m do trabalho de outra pessoa pr√≥xima. Tamb√©m observei, que a grande maioria dessas mulheres, “donas-de-casa”, acabou por deixar um emprego, uma profiss√£o, logo ap√≥s o nascimento dos filhos. Foi o caso da minha m√£e. Formada em Economia, optou por gerenciar a casa, os filhos (eu e o meu irm√£o), a nossa fam√≠lia. Uma escolha a partir do desejo de estar presente, cuidar, educar e transmitir seus valores de vida. Uma parceria, um “acordo” entre companheiros. Um trabalha fora e √© respons√°vel pelo sustento, pelo dinheiro, enquanto o outro “trabalha” em casa, garantindo que tudo funcione.

Mas todas as vezes que presenciei e presencio minha m√£e diante da pergunta “qual a sua profiss√£o?” sinto um certo constrangimento, um micro-sil√™ncio, como se ela visitasse um vazio interno, um desejo de voltar atr√°s e poder SER todas as Elaines, contidas… e a resposta sai encabulada: “do Lar”. Cresci observando e ouvindo as mulheres da minha fam√≠lia lamentando pelos sonhos pessoais e profissionais n√£o realizados, pela falta de reconhecimento, por sacrificarem partes do todo, por se colocarem de lado. Essa “carga”, de alguma forma, foi sendo absorvida por n√≥s, os filhos, e transferida para o masculino. A dan√ßa da codepend√™ncia se instaurou de forma ancestral. A v√≠tima, o salvador e o algoz numa sincronizada e constante altern√Ęncia de pap√©is. Com esse hist√≥rico familiar, fui “programada” para ser o oposto de uma “dona-de-casa” convencional: uma profissional realizada, bem sucedida, independente, livre. Onde o casamento e os filhos podiam esperar. O foco era a parte oposta. Resultado: ca√≠ do outro lado do cavalo! L√° estava eu deixando para tr√°s todas as Lucianas que habitam o meu SER. Durante muitos anos represei o rio, canalizei toda a √°gua em uma √ļnica dire√ß√£o. Fui contra a minha natureza, o meu fluxo natural.

Ser dona ou dono da “casa interna” √© o impulso para ser dona ou dono da “casa externa”. Estamos caminhando para um mundo onde homens e mulheres podem SER, compartilhando, al√©m de banheiros e roupas, profiss√Ķes, atividades, ambientes, esportes, a cozinha e (porque n√£o?!) a manuten√ß√£o de um lar em harmonia. Manter e sustentar o “campo energ√©tico” da casa limpo, equilibrado e em alta frequ√™ncia, demanda um bom gerador, um bom condutor: quem mora! Voc√™, eu… fazendo um mundo particular melhor e contribuindo para um mundo melhor.

Sim, sou dona da minha própria casa!

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