O NADA SAGRADO

por Luciana Costantin

 

Já faz quase um mês que venho refletindo sobre a palavra ‘nada’. Acho que, finalmente, consegui encará-la de um lugar mais confortável. Os últimos dois anos e meio me permitiram passar por ela várias vezes, em situações, fases e ângulos diferentes. Num exercício rápido de retrospectiva, percebi quanta cobrança e julgamento, meu e de muitos, ela carrega. Quase uma unidade de medida, um parâmetro de sentenciamento.

Vou te fazer uma pergunta, que sempre fazemos quando acabamos de conhecer uma pessoa, mas peço que fique atenta, atento a sua resposta, sinta como o seu corpo reage, muita atenção às sensações e aos sentimentos. Preparada? Preparado?

“O que você faz?”

Perceba… dentro do meu repertório de vida, vou compartilhar a seguir algumas possíveis respostas.

Se você faz parte de um sistema, um modelo conhecido de trabalho, provavelmente, respondeu “Eu sou formado em ‘X’, trabalho na empresa ‘Y’, ocupo a posição de ‘W’ ou sou responsável pelo departamento ‘Z’.” Ah, detalhe. Enquanto você passa essas informações sua postura é firme e segura. Inspira pertencimento e expira produtividade, liderança.

Se você faz parte da turma que já experimentou um crachá, ou nunca se viu usando um, e é dono do próprio negócio, pode estar passando pela fase de “perrengue” de ser empresário, mas não quer dar o braço a torcer… estufa o peito e fala sobre o negócio, o mercado e sobre as vantagens de não ter um chefe. Inspira esperança e expira positividade, liberdade.

 

Ou você pode ser do time de empresários bem-sucedidos, que fala do negócio com orgulho e, sempre que dá, conta toda a trajetória cheia de “perrengues” para chegar até aqui. Inspira realização e expira oportunidade, prosperidade.

Mas… tchan, tchan, tchan, tchan… e se você não se encaixa nesses dois grandes grupos? De cara você é julgado e sentenciado. Prepare-se! Você faz parte do grupo que não faz ‘nada’.

Não importa se você está buscando por uma nova oportunidade ou está pensando no seu propósito de vida ou está vivendo o desejado “ano sabático” ou… seja lá o que for. Blá, blá, blá… ‘nada’. Pode ser que eu esteja generalizando ou desabafando? Sim, talvez.

Confesso que quando decidi “pausar” o mundo da iluminação, algo que me dediquei por quase 20 anos, foi muito difícil, mas pude perceber o quanto estava apegada a um ‘tudo’ ilusório.

Se perguntar para dez pessoas aleatoriamente: “O que você faria se ganhasse sozinho na mega-sena acumulada?” Acredito que, pelo menos, oito delas responderia: “Nada!” Mas logo completaria com: “Deixaria o meu emprego, passaria um ano viajando, compraria uma casa, um carro, ajudaria tal pessoa ou familiar, faria só o que eu gosto, investiria no meu sonho…” Olha quanta coisa o ‘nada’ representa?! Já pararam pra pensar nisso?!

Agora e se te der a notícia? “Você acaba de ganhar na mega-sena acumulada!” Passada a euforia do primeiro momento, o que é comum acontecer logo depois? A paralisia. Isso mesmo. Uma espécie de angústia, misturada com a culpa e a necessidade de ter cia. Não fomos educados e treinados para sustentar a própria liberdade e o “nada sagrado”.

 

Refletindo… Quando faço o que gosto, do meu jeito, no meu tempo e ritmo, mantendo a minha integridade, os meus valores, seguindo a minha intuição, o meu propósito… quando estou a serviço de mim mesma, exercitando a presença no agora, isso equivale a ‘nada’.

Mas quando estou inserido num sistema conhecido e seguro, menos arriscado, pra ser reconhecido, para se sentir parte de algo, com salário, status, carteira assinada, tíquete refeição, crachá, pra viver de maneira mais tranquila diante do caos que a vida é… tenho ‘tudo’ que preciso.

O propósito aqui não é definir o certo e o errado. Mas o fato é que não há segurança alguma nessa vida e em nenhum desses cenários. Viver é inseguro.

“A coisa mais importante da sua vida é a sua vida. E as outras vidas ao seu redor. Não é o seu emprego. Não é o seu carro. Não é o seu salário. Essa mentirada toda de segurança que você conta a si mesmo pra justificar algumas das suas escolhas não existe. Não guarde dentro de você a crença de que tudo é essencial. Opte por tomar a pílula vermelha e um novo portal de consciência se abrirá a sua frente. Mesmo se você decidir continuar vivendo do mesmo jeito”

trecho do Livro
“Criativo e empreendedor, sim senhor”
da Rafa Cappai

Eu sigo exercitando e sustentando o meu “nada sagrado”. E você?

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