PREPARAR O TERRENO, A TERRA

por Luciana Costantin

 

Quando iniciamos uma obra para a construção de uma casa a primeira coisa que precisa ser feita é “preparar o terreno”. Já no campo, os agricultores precisam “arar a terra” antes do plantio das mudas e sementes.

Esses processos “de preparo” exigem paciência, cuidado, tempo, capacitação técnica, pesquisa, procedimento, planejamento, entendimento dos ciclos da natureza, uma intenção clara e os movimentos de terra. Ter consciência e respeito por essa primeira etapa e por suas demandas garantem a estabilidade da edificação e uma boa colheita. Garantem sustentabilidade.

Mas será que todos os terrenos e todas as terras são semelhantes e demandam os mesmos cuidados e preparo?

A grosso modo, SIM. Baseado em estudos, pesquisas, técnicas e comprovações científicas, existe um guia global e geral para categorizar, classificar, orientar, prever e abranger os vários aspectos e semelhanças, as diversas características e situações que podem ser encontradas no terreno e no solo.

Mas a resposta passa pelo NÃO, quando estamos diante das variáveis e das características que os tornam únicos. Cada terreno e cada terra são únicos, compostos por muitos centímetros quadrados de combinações únicas. Assim como nós e o nosso interno.

Para construir os nossos negócios, os nossos sonhos, os nossos relacionamentos, a casa com a nossa cara, para plantar e cultivar as nossas sementes, precisamos re-lembrar e honrar as riquezas e as características únicas do nosso solo interno.

Daí a expressão popular “Preparar o Terreno”, que significa: “Criar o ambiente propício para colocar em prática um plano, um sonho, para comunicar algo, preparar alguém psicologicamente para uma notícia, um pedido”. Fazemos isso o tempo todo, consciente ou inconscientemente, superficial ou mais profundamente, em menor ou maior escala.

Assim como fiz no início deste Post. Preparei você para o que queria comunicar, com a intenção de despertar o seu interesse e reflexão sobre o tema. Percebe?

Mas, por mais que nos preparamos internamente, não é possível prever como o nosso projeto, as nossas sementes, irão evoluir. As variáveis externas, o ambiente, o clima, os encontros com as pessoas, coisas, os eventos da vida tornam cada oportunidade especial, onde nada se repete. Precisamos intencionar, confiar, arriscar, persistir e ter resiliência.

Há uns 18 anos atrás, num momento pessoal cheio de medo, sensação de solidão e desespero, uma pessoa querida me disse: “Luciana, se você continuar mantendo a sua mão fechada tentando proteger a sua semente, com o tempo, ela apodrece, seca e morre. Mas se você abrir a mão e lançar a sua semente para o Universo, você tem a chance de ter uma colheita farta.”

Estar em estado de fluxo, em harmonia com os diferentes elementos dentro e fora de cada um, é importante para tornar o caminhar agradável. Estar imerso em tirar prazer do aqui e agora, estar atento aos detalhes, as pistas, aos símbolos, precisa existir para melhorar a qualidade do que oferecemos.

Convido você para arar o seu interior, revolvendo, descompactando e arejando a terra. Expondo as camadas mais profundas ao sol, enterrando o que não serve mais, permitindo a infiltração da água limpa e cristalina da chuva e a entrada de mais oxigênio.

Pronto!? Agora é só lançar as suas sementes!

“Sempre que você encontrar um caminho com todos os passos claros, fique ciente, esse caminho não é o seu.”

Gabriela Brasil

Dedico esse Post ao meu Pai que, além de Engenheiro Agrônomo de formação, me ajudou e me ajuda muito no preparo do meu solo interno e na manutenção da minha integridade. Minha admiração e minha eterna gratidão.

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