A vontade de tirar os sapatos logo na porta de entrada de casa surgiu em mim em algum momento em que olhei para eles e eles representaram o peso do dia lá fora. Tirá-los ao abrir a porta de casa trazia um alívio, era a senha de acesso para o meu mundo, a conexão Bluetooth com a minha casa. O contato dos meus pés com o chão geladinho do hall no verão e o tapete quentinho e macio no inverno me re-conectava com o meu porto seguro, mudava o meu padrão energético e me acolhia gostoso. Sei que esse é um hábito conhecido no mundo todo, praticado em muitas casas brasileiras, americanas, europeias e orientais. Além de ser muito mais higiênico, ajuda muito na limpeza.

 

 

As casas mais tradicionais do Jap√£o possuem um mini c√īmodo na entrada s√≥ para isso: o chamado Genkan (fala Guencan). √Č uma esp√©cie de¬†hall,¬†um ambiente de entrada, onde o piso √© constru√≠do em desn√≠vel em rela√ß√£o ao restante da casa, revestido com um material diferente, protegendo o interior da rua. N√£o se pisa no Genkan com os sapatos usados no interior da casa e vice-versa. Os sapatos s√£o arrumados voltados para a rua e as pessoas cal√ßam chinelos (eu pantufas!) para serem usados no interior da casa. Fazem isso nas pr√≥prias casas, nas casas de outras pessoas e mesmo em outros estabelecimentos: escrit√≥rios, escolas, templos…

Não deixa de ser um gesto de respeito e humildade em relação à casa alheia e aos espaços comunitários. Também carrega um valor espiritual, impedindo que as impurezas energéticas e espirituais, individuais e coletivas, interfiram na harmonia dos ambientes.

Apesar da minha descend√™ncia italiana, me sinto um pouco japonesa em algumas rotinas de casa: a organiza√ß√£o, o respeito, a leveza, os rituais de autocuidado, a respira√ß√£o. H√°bitos de conex√£o e empatia. Acredito que, quando estamos com o nosso campo energ√©tico ativado para nos conectarmos com o campo dos ambientes e do Universo, acessamos ensinamentos milenares e, de forma ‚Äúintuitiva‚ÄĚ, conseguimos aplic√°-los no nosso dia a dia. Tamb√©m acredito que eles chegam at√© n√≥s de v√°rias formas: uma conversa com um amigo, um email, uma foto no Pinterest ou no Instagram, um objeto, um aroma, uma hist√≥ria de vida ou um insight depois de um cochilo no sof√° de casa.

O hoje, o agora, podem estar disponibilizando in√ļmeros arquivos, bibliotecas de ensinamentos. Vamos ativar o Bluetooth particular, despertando para aquilo que √© importante para cada um de n√≥s. Viva!

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