Existem v√°rias teorias e v√°rios caminhos na tentativa de explicar a nossa realidade, micro e macro, pessoal e mundial. Como chegamos at√© aqui e onde vamos chegar se continuarmos assim? Em que momento come√ßamos a nos afastar da nossa ‚Äėess√™ncia humana‚Äô? Quando come√ßamos a n√£o nos reconhecer como iguais em esp√©cie? Quando come√ßamos a renegar nossa natureza, nossos ancestrais, nossos valores, nossa casa, nossos templos?

Dia desses, assistindo a uma aula do Professor e Doutor Keith Critchlow, sobre Geometria Sagrada, me vi diante de uma das poss√≠veis explica√ß√Ķes. Segundo ele, nos foram revelados quatro n√≠veis de entendimento: 1.espiritual, 2.cultural, 3.social e 4.material. Todos fazem parte um do outro ou refletem um ou outro, num processo c√≠clico e cont√≠nuo. Mas hoje, a maioria das pessoas est√° sendo levada a acreditar que s√≥ existe o mundo material, as necessidades materiais, a exist√™ncia material, o corpo. Um verdadeiro processo de ‚Äúdesumaniza√ß√£o‚ÄĚ e desequil√≠brio.

Tempo

N√£o temos tempo para n√≥s, para o outro, para os filhos, os nossos pais, para os amigos, para comer bem, ouvir e sentir o corpo. Zombamos dos nossos ancestrais do alto da nossa arrog√Ęncia e prepot√™ncia tecnol√≥gica. Esquecemos e fazemos quest√£o de apagar os caminhos que nos trouxeram at√© aqui. Nossa casa virou uma hospedaria: s√≥ para dormir e tomar banho. Nosso corpo virou um ve√≠culo: s√≥ para nos locomover e comer. Ali√°s, descontamos nele as nossas frustra√ß√Ķes e ansiedades. N√£o temos tempo para perder com v√≠nculos afetivos, com conversas, com olhares prolongados, com distra√ß√Ķes chatas. Tudo de legal, de muito bacana, est√° dentro de um aparelho celular. Restringimos o nosso campo de vis√£o, perdemos a nossa conex√£o visual com os outros humanos, com os animais, com a natureza. Ahhhh! Como √© bom viver a vida do outro, n√£o?! T√£o perfeita, t√£o desejada, t√£o feliz, t√£o bem representada por Emojis, tudo t√£o… artificial, t√£o distante. Como √© f√°cil resolver os problemas e os impasses do outro, s√≥ com coment√°rios e mais trocas de coment√°rios. Como √© bom apontar o dedo pro outro e nos sentir perfeitos.

Transição

Ainda segundo Prof Keith, a boa not√≠cia √© que tudo (absolutamente tudo) est√° em transi√ß√£o. O processo de uni√£o dos quatro n√≠veis de entendimento, dos quatro mundos, das quatro esta√ß√Ķes do ano, os quatro sentidos, √© circular e cont√≠nuo, controlado por uma for√ßa invis√≠vel e central, inerente a nossa vontade. Uma vez iniciada a jornada, n√£o temos como parar, continuamos viajando, migrando e revisitando os demais n√≠veis. Lembrando que somos mais que um corpo, uma mente.

Olhar

E n√≥s? O que podemos fazer ‚Äėhoje‚Äô para contribuir com o processo de humaniza√ß√£o, com o retorno a n√≥s mesmos e ao outro? Olhar! Olhar nos olhos de algu√©m, por um minuto, que seja. Sem julgamento, com compaix√£o. Exercitar a presen√ßa enquanto olha. Expandir esse olhar para o ‚Äėtodo‚Äô e o ‚Äėnada‚Äô, para as possibilidades, as diferen√ßas, a riqueza dos detalhes. Tem o ditado que diz ‚Äúos olhos s√£o a janela da alma‚ÄĚ. Vamos abrir essa janela. Vamos nos permitir ser vulner√°veis e humanos.

“Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim do que n√£o, n√£o, n√£o

Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas m√£os
Mesmo sem se sentir
N√£o h√° tempo que volte, amor
Vamos viver tudo que h√° pra viver
Vamos nos permitir‚ÄĚ
Lulu Santos

Trecho da Letra da M√ļsica “Tempos Modernos”, lan√ßada em 1982… 37 anos e t√£o atual!
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